Como cortar os custos das vidas humanas perdidas nas rodovias

Lawrence Solomon
Fatos do Mes de Maio 2000
June 23, 2000

"A resposta é rodovias pedagiadas"

Três mil pessoas morrem nas rodovias canadenses a cada ano, estando a rodovia de Ontário entre as mais perigosas. Entretanto, a Highway 407 ao norte de Toronto com pedágio eletrônico, inaugurada 3 anos atrás, ainda está por registrar sua primeira fatalidade. A taxa de acidentes da rodovia 407 – 0,27 para cada um milhão de quilômetros trafegados – é também invejável, cerca de um terço da taxa que ocorre na rodovia 401, que corre paralela à rodovia pedagiada, a poucos quilômetros ao sul.

Ainda com relação à Rodovia 407, conquanto extraordinariamente segura quando comparada com a 401 e outras principais rodovias americanas sem pedágio, ela não se destaca quando comparada com outras rodovias pedagiadas. A taxa de fatalidade em rodovias pedagiadas é, basicamente, a metade ou dois terços das taxas das rodovias sem pedágio. Em uma sociedade cujos membros põem segurança pública acima de tudo, rodovias pedagiadas – e não rodovias sem pedágio – constituem o caminho a seguir.

No próximo mês, um investigador de Contraio irá pesquisar uma das piores calamidades ocorridas em rodovias canadenses – um terrível acidente envolvendo 84 veículos em setembro/99, que ceifou 8 vidas, na extensão Windsor/London da 401, apelidada Alameda da Morte. "Nós temos que examinar (se) há lições que possam ser aprendidas e maneiras de tornar as rodovias mais seguras em Contraio", disse o Dr. James Young, Investigador Chefe de Contraio, duas semanas depois do acidente.

Precisamente o que o inquérito irá examinar é mantido em segredo: o investigador não deseja revelar que testemunhas serão chamadas ou a natureza da evidencia a ser apresentada, até que a investigação se inicie. Mas as investigações anteriores a respeito das mortes no sistema rodoviário têm, basicamente, limitado suas recomendações a soluções de engenharia tais como melhor iluminação, barreiras medianas e pavimentação, ao invés de encascalhamento, acostamentos. Nenhuma investigação, segundo os registros do Serviço de Investigação, sequer pesquisou ou muito menos recomendou o que poderia ser o melhor aperfeiçoamento de todos em relação à segurança: pedagiar as rodovias existentes.

Em parte, a rodovia pedagiada tem um registro de resultados sobre segurança muito superior, porque suas equipes operam uma rodovia em particular, tornando-se mais familiarizados com suas características específicas. Em consequência, eles atuam mais rapidamente na limpeza de resíduos, remoção de neve, localização e solução de problemas de estradas congeladas.

Mas, mais importante de tudo, a operadora de rodovias pedagiadas, seja ela pública ou privada, tem um sinal de alerta. Quando o tráfego não está fluindo, uma rodovia pedagiada perde $30.000 por hora ou mais, o que representa um forte incentivo para investir em segurança e em outros equipamentos que permitam dominar o problema antes que ele se torne grande. Ainda que prevenir derramamento de sangue sobre a rodovia possa motivar menos do que ter registros contábeis no vermelho, a orientação voltada para lucros, motiva, entretanto, as operadoras de rodovias pedagiadas a descobrir novas maneiras de incrementar a segurança.

Um exemplo desses incentivos em funcionamento é a Route 91 Express Line, na Califórnia, uma rodovia pedagiada construída na área central reservada de uma rodovia sem pedágio na área de Los Angeles. Para monitorar a rodovia, a Express Line emprega câmeras de tv de alta tecnologia e uma frota particular de carros-reboque no patrulhamento permanente. Quando o Centro de Controle Operacional identifica um problema, ele imediatamente manda um dos carros-reboque para solucioná-lo. O operador troca pneus furados e baterias descarregadas, fornece gratuitamente um galão de gasolina para os veículos que tenham ficado sem combustível ou, se necessário, os reboca – fazendo o que for necessário para colocar os carros fora do acostamento da rodovia, onde eles atraem a atenção de motoristas curiosos, diminuem a velocidade do tráfego e criam riscos de acidente.

Para evitar congestionamento – a principal causa de acidentes – a Express Line aumenta o valor dos pedágios durante as horas de pico. Esta técnica é tão eficiente para manter livre o fluxo das rodovias que a Express Line oferece uma garantia de devolução do pedágio a qualquer pessoa que não possa dirigir no limite da velocidade permitida de 65 milhas por hora. Outras rodovias pedagiadas estão desenvolvendo métodos para dar avisos antecipadamente quando a neblina encobre uma região – uma causa frequentemente citada do acidente da Rodovia 401 que, espera-se, o inquérito examine. Elas planejam avisar os motoristas que estão entrando em trechos perigosos por meio de mensagens colocadas ao lado das rodovias e – e mais cedo do que se possa imaginar – por meio de mensagens enviadas ao painel dos veículos.

Os operadores da Rodovia 401 e outras rodovias não pedagiadas nos Estados Unidos não gostam de ver vítimas fatais na rodovia mais do que seus congêneres que cobram pedágio, e muitos governos têm investido significativamente em equipamentos de alta tecnologia, tanto para melhorar a eficiência das suas rodovias como para poupar vidas.

Mas, diferentemente dos operadores de rodovias pedagiadas, que estão, basicamente, concentrados na lucratividade das operações, os governos, que são os responsáveis pela operação das rodovias sem pedágio, têm muitos senhores para servir. Comunidades influentes obtêm melhores condições de tráfego para si próprias às custas de outras. Em algumas administrações, apadrinhamento, mais do que mérito, determina quais funcionários serão admitidos. Acima de tudo, uma vez que os investimentos em rodovias saem do caixa geral, eles competem com assistência médica, educação e outras demandas públicas para novos gastos. Como observou Ezra Hauer, professor emérito do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Toronto e participante do Instituto de Engenharia de Transporte, em uma conferência internacional sobre segurança rodoviária, em Alberta em 1998: "Qualquer iniciativa em matéria de segurança na infra-estrutura de transporte pode ser custosa e os recursos terão que vir do Tesouro, sem imediata compensação por meio de tributos."

Por esta razão, os governos de todo o Canadá têm permitido que o nosso sistema de rodovias se deteriore muito, a despeito de insistentes avisos das organizações sensíveis à segurança. Não obstante governos e autoridades rodoviárias reconheçam que as modernizações necessárias da infra-estrutura de rodovias do país salvariam 250 vidas por ano, eles empacam diante da cifra de $17 bilhões necessários. Para uma operadora de rodovia pedagiada, rodovias sem segurança são péssimas para o negócio. Para um governo, rodovias com segurança constituem um luxo. A questão que se coloca para a sociedade é: podemos pagar pelo custo das vidas humanas perdidas em rodovias não pedagiadas?

* Lawrence Salomon é diretor executivo do Urban Renaissance Institute, e colunista do jornal National Post, em Toronto, Canadá, em cuja edição de 2/05/2000 foi publicado o artigo "How to cut highways’ human toll", ora traduzido e mencionado no boletim Tollways do IBTTA, USA, edição de maio/2000.

Read Fatos do Mes, the Brazilian newsletter in which this translation appeared. (Portuguese only)

 

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